Não gosto muito de doce.
Minto, gosto de mel e muito!
Já o sal eu não dispenso
Daquilo que hei-de comer
Também gosto desta vida.
Minto, gosto muito de a viver!
E não passo sem o tempero
Que ela me faz cada dia.
Hoje foi doce.
Minto, foi agridoce!
Que a sua sabedoria
Expulsa a monotonia.
Cada sorriso sentido e expresso não ofusca uma espécie de dor crónica que se vai instalando em mim. Não a desejei mas encontrei-a nos caminhos que trilhei. Aprendi a sofre-la, quem diria, e a assumi-la em mim? E quando a vida me proporciona a doçura da alegria ela aparece com acusadora, endurece-me o rosto, tolhe-me o sorriso e ganha. Mas eu não sou dela. Eu não sou teu. Eu sei de quem sou. Sou de quem é. Não quero ser de mais ninguém. Sei que não lhe posso ganhar e querer passar sem a sofrer é desejar sofrê-la no futuro. Assumi-la, aceitá-la e sofrê-la é assumir e aceitar não voltar a percorrer o tal trilho onde se encontra tal dor. Sei que não sei se quero e quero o que não desejo mas sei que não quero ser jamais doutro que me traga tanta dor. Vou. Aqui não fico. Há caminho. Vou percorrê-lo. Doutro modo, doutro jeito, quem sabe com os mesmos companheiros de jornada de sempre. Por hora duvido e sou duvidado… assim disse o agouro que se expressou em doce desejo e meloso voto o que se tornava mais que evidente. Mas aprendi que escolher é errar, melhor, escolher por mim é errar; a sabedoria ensina a escolher o que por norma jamais escolheria. Então que valor terá… o maior de todos. Aí se dá a descida à morada da morte e a subida à casa da vida e o que agora era amanhã será ressuscitado.
Eu não sou do passado.
O passado é que me pertence.
… ando.